abril 16, 2020

A solidão na “melhor” idade

Que estamos vivendo um momento único, todos sabemos! Mas que este momento de afastamento social provocado pela pandemia do Covid-19 tem afetado todas as faixas etárias e seus efeitos ainda resultarão em consequências futuras, poucos tem se importado.

 

 

A longo prazo, as consequências da solidão e do isolamento marcam negativamente as pessoas. Um questionário aplicado pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, mostra que aqueles que se caracterizavam como solitários apresentavam sintomas de enfermidades mais severos e necessitam de cuidados intensivos no fim da vida se comparados com os demais, que não se sentiam sozinhos. A pesquisa foi publicada no “Journal of the American Geriatrics Society” em março, apresentando estes resultados. 

“A solidão é um fenômeno social pervasivo com implicações profundas para a saúde e o bem-estar de adultos mais velhos, particularmente no fim da vida”. “Temos que fazer mais, como provedores de cuidados de saúde mas também como sociedade”, afirma o autor do estudo, e médico Nauzley Abedini.

 

Nós ficamos mais velho, paramos de trabalhar, algumas quedas nos deixam com medo de sair de casa, a família se afasta e a gente se encontra sozinho e isolado do mundo. Essa é a realidade de muitos idoso, com ou sem decreto de isolamento social.

A culpa em geral pode estar nas mudanças da configuração das famílias. Antigamente os lares eram cheios, moravam juntos os avós, os filhos e os netos. E assim sempre havia companhia para o idoso dentro de casa. Hoje a situação mudou bastante e principalmente nas grandes cidades, é frequente os idosos morarem sozinhos e, mesmo quando moram na mesma residência, seus filhos e netos passam a maior parte do tempo fora de casa, estudando ou trabalhando.

 

A solidão pode levar à depressão, incentiva maus hábitos alimentares e sedentarismo, e a vontade de sair, se exercitar, fazer algo diferente e novo vai se perdendo. Toda essa falta de interação social potencializa sentimentos como estes e ainda aumenta as chances do idoso, que naturalmente já sofre com tudo isso, de sofrer ainda com doenças degenerativas. 

Somos seres que vivem em sociedade, em permanente interação, e essa dinâmica que se modifica com o passar do tempo e agora, devido ao isolamento que estamos inseridos, nos traz efeitos negativos a curto e principalmente, a longo prazo.

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